Proteção
de Estruturas Metálicas contra incêndio
A
prevenção das estruturas metálicas contra incêndio começa ainda no projeto e
alguns requisitos devem ser levados em consideração. São eles:
·
Prever rotas
de fuga que permitam rápida evacuação dos edifícios;
·
Comunicação
automática e rápida com a brigada de incêndio;
·
Adequada
compartimentalização dos ambientes de maneira a evitar com que o fogo se
espalhe;
·
Prever um
sistema eficiente de combate ao incêndio, como detectores de fumaça e calor e
borrifadores de águas conhecidos como (“Sprinklers”);
Além das medidas que podem ser adotadas no projeto
arquitetônico, outras podem ser criadas para proteger diretamente os elementos
estruturais, de maneira que eles resistam durante determinada quantidade de
tempo, que varia conforme as características da edificação. Um exemplo desse
tipo de proteção é o uso de estruturas revestidas por materiais isolantes, tais
como alvenarias, concreto e argamassas especiais projetadas, entre outros.
A segurança contra incêndio visa proteger a vida
humana e o patrimônio, sendo a primeira a maior preocupação. Por isso
dependendo do tipo de ocupação do edifício as medidas preventivas podem mudar
de caso para caso, tornando-se mais severas naquelas em que a quantidade de
público é maior e mais expostos ao fogo, como nos Shoppings, lojas, hospitais e
assim por diante. Em um incêndio, a fumaça pode se tornar pior que o próprio
fogo, pois ela pode causar intoxicação, evitando que a pessoa possa se
defender. A fumaça também provoca dificuldade de visão, não permitindo que as
pessoas possam se orientar na procura por rotas de fuga. Portanto o projeto das
rotas de fuga deve prever essas questões e garantir que as saídas sejam bem
demarcadas e visíveis, mesmo em situações de grande concentração de fumaça.
Para tanto se deve consultar a norma brasileira NBR9077.
A
proteção ao patrimônio visa que a estrutura se mantenha estável, o máximo de
tempo possível, para que medidas de combate ao fogo sejam eficientemente
ativadas. A norma brasileira que trata das estruturas em situação de incêndio,
a NBR 14432/2000, prevê tempos de resistência ao fogo de 30 a 120 minutos
dependendo do tipo de ocupação do edifício. É óbvio que esses tempos requeridos
têm pouco a ver com a vida humana, pois é praticamente impossível o ser humano
suportar tanto tempo dentro de um incêndio.
Para determinar a adequada resistência ao fogo, usam-se parâmetros para
estabelecer o tempo de resistência, baseados em um incêndio teórico denominado
incêndio-padrão, que é diferente das condições encontradas no incêndio real,
também denominado incêndio natural. Enquanto no incêndio natural a temperatura
começa a baixar após a extinção de todo material combustível, no incêndio padrão
considera-se a temperatura sempre ascendente ao longo do tempo.
As temperaturas atingidas nos incêndios reais dependem dos seguintes fatores:
·
A quantidade e localização dos
materiais combustíveis, denominados “carga de incêndio” que é medida em Joules
por m2, ou quilograma de madeira equivalente.
·
A taxa de combustão dos materiais.
·
As condições de ventilação, dadas pelas
aberturas.
·
A geometria dos compartimentos.
·
As propriedades térmicas das vedações;
A
severidade de um incêndio real é medida pela norma, considerando um incêndio
padrão, e em termos de Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF),
estabelecido em minutos, que no caso da Norma Brasileira, como já foi dito,
varia de 30 a 120 minutos. Nesses casos são consideradas as piores situações
que podem ocorrer em um incêndio real.
No caso da proteção específica dos elementos estruturais podem ser usadas as
mais diversas alternativas. A opção por uma ou algumas delas deve sempre levar
em conta as exigências de tempo de resistência ao fogo, assim como custos e
resultados estéticos.
Quando a arquitetura não prevê estrutura aparente as medidas podem ser as
seguintes:
1. Estrutura metálica do piso imersa na estrutura de concreto.
Neste caso as vigas são projetadas de maneira que sejam contidas dentro da
espessura das lajes. É comum usar vigas de chapas soldadas com secção
assimétrica, onde a mesa inferior é maior que a superior, para melhor apoio da
laje. Aqui a estrutura de concreto comporta-se como elemento de proteção para o
aço. Esse tipo de proteção pode garantir até 60 minutos de resistência ao fogo,
se a face inferior da mesa inferior também for protegida. Essa solução é
utilizada para vãos entre 6 e 9 m e onde outros tipos de proteção podem ser
danificados pelo uso.
Essa solução traz como benefício colateral uma menor espessura estrutural.
2.
Pilares embutidos nas alvenarias.
Neste caso, os pilares são envolvidos pelos elementos de alvenaria, ou mesmo
colocados em suas reentrâncias, podendo-se obter, dessa forma, uma resistência
de até 60 minutos.
3.
Estrutura revestida com argamassas projetadas;
Argamassas de cimento e gesso, contendo fibras minerais, vermiculita expandida
entre outros agregados leves, constituem-se em proteções bastante eficientes,
podendo alcançar, dependendo da espessura da camada aplicada, até 240 minutos
de resistência ao fogo. Essas argamassas são normalmente aplicadas através de
jateamento, acomodando-se facilmente às formas dos perfis. Como contrapartida
esse jateamento provoca sujeira e um aspecto não muito agradável à superfície
dos elementos estruturais, razão pela qual são normalmente revestidos. Esse
processo exige equipamentos especiais.
4.
Estrutura revestida com placas e mantas
São
usadas placas de gesso, vermiculita e fibras minerais, materiais semelhantes
àqueles jateados. Aqui na forma de placas. As placas de gesso e vermiculita são
rígidas, mas de aparência agradável. As de fibras minerais são moles. Já as
mantas são bastante flexíveis podendo amoldar-se em formas mais complexas. Esse
tipo de revestimento, dependendo da espessura pode alcançar até 240 minutos de
resistência ao fogo. Sua aplicação, feita a seco não provoca sujeira. O
resultado é esteticamente agradável.
Quando
o projeto de arquitetura prevê estrutura aparente outras medidas devem ser
tomadas. Quando deixadas sem qualquer proteção perfis H e I podem resistir
apenas 15 minutos. No caso de elementos estruturais pouco solicitados, como no
caso de vigas em que o dimensionamento foi definido pelos limites de
deformação, ou ainda para vigas muito largas, pode-se alcançar 30 minutos de
resistência. Os contraventamentos, como são pouco solicitados, podem ser
considerados como resistentes a 30 minutos.
Em algumas situações a própria Norma permite que se deixe de verificar a
resistência ao fogo, permitindo que essas estruturas possam permanecer
aparentes sem qualquer tratamento especial. Esses casos são:
1. Edificação qualquer com área inferior a 750 m2
2. Edificação com área inferior a 1500 m2, desde que a carga de incêndio seja
inferior a 1.000 MJ/m2 e não tenha mais que dois pavimentos.
3. Centros esportivos e terminais de passageiros com altura inferior a 23 m
4. Garagens abertas com altura menor que 30 m
5. Edifícios térreos com qualquer área, desde que sejam protegidos por
borrifadores de água.
Para maiores detalhes ver a Norma NBR 14432/2000
O
uso de um tipo especial de aço, o aço resistente ao fogo, ainda não disponível
no Brasil, pode ser uma alternativa para o uso de estruturas aparentes.
Outras
medidas podem ser usadas para permitir o uso de estrutura exposta:
1. Secções em H ou I preenchidas com concreto.. Se armado, a proteção dada pelo
concreto pode chegar a 120 minutos de resistência ao fogo. Essa solução
permite, também, um aumento na capacidade de carga do pilar, tornado-o um pilar
misto. O enchimento com concreto pode ser feito previamente, antes da montagem
do pilar.
2. Secções tubulares circulares, quadradas ou retangulares apresentam,
naturalmente, uma relação entre o perímetro exposto e área de secção
transversal baixa em relação aos perfis H, também utilizados em pilares. Como o
aumento da temperatura no elemento estrutural é proporcional à relação entre
perímetro exposto e a área da secção transversal, parâmetro denominado Índice
de Massividade (IM), conclui-se que as secções tubulares são naturalmente mais
resistentes ao fogo.
3. O preenchimento de secções tubulares com concreto, ou até água, são outras
alternativas de proteção. A água absorve o calor antes do aço, fazendo com que
sua temperatura suba mais devagar, aumento o tempo de resistência ao fogo. No
caso de preenchimento com concreto pode-se ainda tirar proveito do uso de pilar
misto, aumentado a capacidade para cargas do pilar. Com esse sistema pode-se
alcançar até 120 minutos de resistência ao fogo.
4. Uso de resina intumescente. Esse tipo de resina tem a propriedade de, à
temperatura de 150 0C, liberar gases que a fazem aumentar de volume criando uma
proteção ao elemento estrutural. Podem alcançar altíssimo nível de proteção,
tendo por outro lado um custo muitas vezes proibitivo. Para resistência entre
30 e 60 minutos podem ser competitivas.
5. Estruturas externas ao edifício podem exigir menor proteção, ou mesmo serem
deixadas sem proteção, desde que se comprove que o fogo não tenha possibilidade
de alcança-la através de aberturas próximas. Essa questão pode ser resolvida já
no projeto de arquitetura.
BIBLIOGRAFIA
Texto retirado do site: https://www.ycon.com.br/
1. Fire Safe Multi-storey
Building – International Iron and Steel Institute
2. Estruturas de Aço em Situação de Incêndio – Valdir Pignatta e Silva.
Por MediatoWeb, www.mediatoweb.com.br
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